A um 2026 de caminhos de regeneração local com impacto global
“Num tempo em que o mundo rural enfrenta desafios urgentes, da desertificação à perda de património, e do isolamento à fragilidade económica, acreditamos que as soluções mais transformadoras nascem de dentro, com as pessoas e para as pessoas.”
Com gratidão pelo ano de 2025...
Ao longo de 2025, a Fundação DaST aprofundou o seu trabalho no Torrão através de iniciativas que articularam educação, ecologia, criação artística e investigação académica, reforçando uma prática enraizada no território e orientada para o futuro.
No campo da educação e da mediação cultural, o ano lectivo iniciou-se com a Oficina de Teatro dinamizada por Miguel Magalhães, em parceria com o Teatro Nacional D. Maria II, o Plano Nacional das Artes, o Convento da Terra e o Município de Alcácer do Sal, envolvendo alunos do 2.º e 3.º ciclos na criação das bases de um grupo de teatro escolar ligado ao quotidiano e ao património local.
O rio Xarrama manteve-se como eixo central da acção da Fundação. Através do programa Xarrama Vivo, promovido pela Fundação DaST através do Convento da Terra, em parceria com a Universidade de Évora, a Xarrama Adventure e diversas organizações locais e nacionais, entre as quais a ASPEA, desenvolveram-se encontros comunitários como as Vozes do Xarrama, caminhadas, limpeza de veredas e acções de monitorização. Este percurso teve expressão pública na exposição O Rio Xarrama e o Guarda-Rios, afirmando o rio como património vivo e responsabilidade colectiva.
No domínio da criação artística e da transmissão de saberes, destacou-se a obra Ártemis, de Susana Cereja, desenvolvida em co-criação com a comunidade do Torrão e apresentada em Arraiolos. Realizaram-se também oficinas de pão ancestral e de bolo-rei, momentos de partilha intergeracional que valorizaram práticas tradicionais, memória e convivialidade. O ano incluiu ainda o lançamento do livro Vagabundos em Férias, da escritora Acidália Lopes, no Espaço C-T AQUI, na Praça Bernardim Ribeiro.
Teve igualmente início o ciclo Conversas que Germinam, espaço de reflexão dedicado às transições necessárias à regeneração dos territórios, com uma primeira sessão centrada na Agricultura Regenerativa.
As residências académicas constituíram um pilar fundamental em 2025. Em Junho, o Torrão acolheu a segunda residência académica internacional, em colaboração com o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, a Edinburgh Napier University e a Universidade de Xi’an Jiaotong-Liverpool, contando ainda com a participação do arquitecto Phil Hawes, ligado ao projecto Biosphere 2. Novembro foi mês de visitarem o Torrão os alunos de mestrado de Design Ambiental do Instituto Superior Técnico e os alunos de Mestrado de Arquitectura da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa.
Um trabalho que ganhou projecção para além do território, com a apresentação do Torrão LAB como caso de estudo de regeneração rural integrada no congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional e com a presença em Bruxelas no European Start-up Village Forum. O ano culminou com o reconhecimento oficial da Fundação DaST por parte do Estado Português, um marco que legitima o percurso desenvolvido e reforça a responsabilidade de continuar a construir caminhos de regeneração de longo prazo, com e para a comunidade.
Acções que não são apenas marcos pontuais.
São manifestações de um processo contínuo
que articula o conhecimento com a
investigação, a criação artística
com a educação cívica, e o enraizamento com a
visão de futuro. No Torrão, estamos a desenhar
um modelo de regeneração rural que
une cultura, ecologia, economia e participação.
Preparados para 2026!