A Urgência da Mudança

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rumo a um futuro sustentável

“O socialismo colapsou porque não permitiu ao mercado revelar a verdade económica. O capitalismo poderá colapsar porque não permite ao mercado revelar a verdade ecológica.”

Oystein Dahle
antigo Vice-Presidente da Esso
para a Noruega e o Mar do Norte

Enquanto sociedades ocidentais, avançamos a grande velocidade por percursos superficiais da vida, anestesiados por uma publicidade incessante e relutantes em enfrentar os desafios globais, porque fazê-lo implicaria questionar o conforto do nosso próprio modo de viver.

No entanto, a vida plena não se encontra em palavras vazias nem em entretenimento acrítico, mas na ação. A participação em projetos coletivos de regeneração ambiental tem o potencial de revitalizar simultaneamente o planeta e o nosso sentido de propósito, integrando-nos em algo duradouro, com impacto intergeracional. A Revolução Industrial trouxe às sociedades ocidentais níveis inéditos de conforto, mobilidade, comunicação e abundância, alimentando a ilusão de domínio sobre a natureza. Este sucesso, amplamente promovido pelos meios de comunicação globais, estabeleceu um modelo que outros países procuram replicar, muitas vezes de forma insustentável. Contudo, este estilo de vida já não é sustentável, nem sequer para o próprio Ocidente.

O modelo de vida atual, assente no consumo excessivo e em práticas insustentáveis, revela-se estruturalmente falho. A pegada ecológica dos países de elevado rendimento é profundamente desproporcionada face à sua biocapacidade, conduzindo à poluição e ao esgotamento dos recursos naturais. Não se trata apenas de alterar hábitos de consumo, mas de reformular leis, sistemas fiscais, regras financeiras, modelos educativos e práticas agrícolas. Se não mudarmos de rumo, a nossa civilização caminha para o colapso. Ainda assim, desde a década de 1970, inúmeras organizações internacionais, universidades, centros de investigação e comunidades têm vindo a trabalhar ativamente sobre estas questões, demonstrando que é possível adotar uma abordagem consciente e construtiva na construção de um futuro sustentável.

Frederic Coustols
Mentor & Fundador da fundação DaST

desafios atuais

“A apatia social, caracterizada pelo afastamento ou pela indiferença face às questões ambientais, constitui um obstáculo significativo ao progresso. Perpetua um ciclo de inação que dificulta a resposta às crises ecológicas urgentes que enfrentamos.”

No contexto atual, enfrentamos desafios prementes que exigem a nossa atenção imediata, desde a apatia social perante as questões ambientais até à realidade evidente de a nossa pegada ecológica ultrapassar a capacidade do planeta para nos sustentar. A apatia social, marcada pelo desinteresse ou pela indiferença em relação às problemáticas ambientais, representa um entrave sério ao avanço coletivo, alimentando um ciclo de inação que compromete os esforços para responder às crises ecológicas do nosso tempo. O Relatório Planeta Vivo 2022 revela que o consumo e as atividades humanas empurraram a Terra para além dos seus limites, excedendo a sua biocapacidade em cerca de 75%. Esta sobreutilização dos recursos ameaça não apenas o equilíbrio delicado dos ecossistemas, mas também o bem-estar das gerações futuras.

A necessidade de agir é inequívoca. Não nos podemos permitir permanecer complacentes perante realidades tão exigentes. Cabe-nos reconhecer a urgência do momento e assumir passos concretos rumo a uma transformação sustentável. Ao enfrentar a apatia social, promover uma cultura de responsabilidade ambiental e adotar práticas sustentáveis, podemos abrir caminho para um planeta mais resiliente e próspero. O conceito de pegada ecológica global sintetiza de forma clara o desafio profundo de viver de modo insustentável no mundo contemporâneo, evidenciando o desequilíbrio estrutural dos padrões de consumo que caracterizam as nossas sociedades. Reconhecer a insustentabilidade dos atuais modos de vida obriga-nos a procurar caminhos alternativos, assentes numa relação mais equilibrada e harmoniosa com o planeta. O momento de agir é agora.

contexto & progressão

“Comecemos por dizer a verdade: a competitividade é um conceito sem sentido quando aplicado às economias nacionais. E a obsessão pela competitividade é simultaneamente errada e perigosa.”

Paul Krugman

Ao longo da grande narrativa da história humana, o progresso económico foi frequentemente associado ao crescimento exponencial e ao avanço tecnológico. Contudo, à medida que entramos numa nova era, tornam-se cada vez mais evidentes as fragilidades deste paradigma centrado no crescimento, projetando sombras sobre a saúde do planeta e a coesão social. A insistência quase absoluta na competitividade, como observou o economista laureado com o Prémio Nobel Paul Krugman, revelou-se não apenas equivocada, mas também perigosa, sobretudo num contexto em que o modelo de Estado social ocidental se mostra cada vez menos sustentável. As práticas comerciais históricas e a facilidade de circulação da informação aprofundaram a interligação global, mas também geraram relações de dependência que fragilizaram culturas tradicionais e biodiversidade, sublinhando a urgência de uma abordagem mais equilibrada.

Para enfrentar estes desafios, torna-se essencial implementar sistemas fiscais que reflitam de forma rigorosa o impacto ambiental dos bens importados. Medidas desta natureza podem incentivar modos de produção mais limpos e promover práticas sustentáveis. Como salientou José J. Delgado Domingos, o desenvolvimento sustentável deve ser pensado a partir de uma perspetiva global e integrada, evitando os riscos de uma especialização excessiva. Paralelamente, é fundamental repensar o papel das patentes e dos mercados financeiros, incorporando os custos ambientais e orientando recursos essenciais para modelos de gestão coletiva, capazes de promover maior equidade e sustentabilidade.

Assumir uma economia pós-crescimento, centrada na sustentabilidade e na justiça social, em vez de na expansão contínua, é um passo decisivo para a construção de um futuro resiliente e harmonioso. Ao reimaginar as estruturas económicas à luz destes princípios, será possível responder de forma mais eficaz aos desafios ambientais e sociais do presente e abrir caminho para um mundo mais justo e sustentável.

necessidade de mudança

“Tal como um capitão que se recusa a alterar trajeto arrisca catástrofe, também a arriscamos quando ignoramos a necessidade de uma mudança sistémica.”

A necessidade de mudança é inegável e exige uma correção profunda do rumo coletivo que seguimos. É essencial reconhecer a urgência da ação, tal como um capitão que identifica um perigo iminente e decide afastar o navio de águas ameaçadoras.

Este processo implica enfrentar as questões sistémicas que sustentam o desequilíbrio ecológico, abrangendo dimensões económicas, sociais e regulatórias. Tal como um capitão que se recusa a mudar de direção coloca tudo em risco, também nós o fazemos quando ignoramos a necessidade de transformação estrutural. Tornar visíveis estas falhas sistémicas, bem como os riscos de manter o rumo atual, reforça a importância crítica de adotar ações transformadoras em direção a um futuro sustentável.

A vida não se encontra em palavras vazias, nem no tempo diluído pela busca de entretenimento acrítico, mas na ação. Através de projetos coletivos de regeneração ambiental, também o indivíduo pode ser regenerado, tornando-se parte ativa de algo maior, algo intergeracional, e não meramente consumista.

John Donne escreveu que “nenhum homem é uma ilha”. Do mesmo modo, nenhuma ilha é verdadeiramente uma ilha. Quer se esteja consciente ou não, a agricultura, a água e a energia dizem respeito a todos nós. É fundamental começar a encarar as nossas ações não como episódios isolados, mas como partes integrantes de um todo interdependente.

agenda 21 & esforços globais

“Através de iniciativas internacionais e de projetos de desenvolvimento sustentável em diferentes regiões do mundo, é reforçada a importância da ação local integrada num contexto global. Estes esforços demonstram os princípios do desenvolvimento sustentável e evidenciam o poder das iniciativas de base comunitária na promoção de mudanças positivas.”

Perante desafios globais cada vez mais urgentes, enquadramentos colaborativos como a Agenda 21 e iniciativas promovidas por organizações como o American Council for Sustainability e a sua contraparte portuguesa desempenham um papel determinante no avanço da sustentabilidade.

Projetos urbanos de referência, como Davis, BedZed, Masdar City e Hammarby Sjöstad, demonstram o potencial transformador do design sustentável na resposta aos impactos significativos da urbanização. Com mais de 50 por cento da população mundial a viver atualmente em cidades, número que se estima ultrapassar os 70 por cento nas próximas duas décadas, os contextos urbanos assumem um papel central na definição dos padrões de consumo energético e de emissões de CO₂. Os edifícios são responsáveis, por si só, por cerca de 48 por cento do consumo energético global, enquanto os transportes urbanos representam mais 27 por cento, sublinhando a necessidade urgente de um planeamento urbano sustentável.

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente destaca a urgência de enfrentar estes desafios, uma vez que a maioria do consumo energético e das emissões de CO₂ resulta dos estilos de vida urbanos. A Agenda 21, formulada na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento de 1992, apresenta um plano de ação abrangente para integrar a sustentabilidade em diversos sectores, promovendo processos de decisão participativos e o envolvimento ativo das partes interessadas. Em continuidade, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, adotados em 2015, reforçam a necessidade de ação colaborativa a todos os níveis para enfrentar desafios sociais, económicos e ambientais interligados. Estes enquadramentos evidenciam o papel essencial da articulação entre iniciativas globais e ações locais na construção de um futuro sustentável.

estrutura DaST

“Na procura de soluções sustentáveis, é necessário transcender paradigmas convencionais e adotar abordagens holísticas.”

A estrutura da DaST materializa esta visão, assente em mais de três décadas de trabalho dedicado à restauração e ao fortalecimento das ligações entre paisagens naturais, ambientes construídos, património cultural e hábitos sociais.

O nosso percurso teve início na revitalização de comunidades negligenciadas em diferentes partes do mundo, desde uma aldeia do século XII no Sul de França até um bairro histórico em Lisboa datada a 196a.C. Ao testemunharmos o abandono do capital cultural e a utilização inadequada dos recursos naturais, iniciámos um caminho sustentado de investigação, restauro e envolvimento comunitário. Este trabalho permitiu reconhecer o valor intrínseco destes territórios e o seu potencial para moldar um futuro mais sustentável.

Através da DaST, a sustentabilidade vai além da inovação tecnológica e assume-se como uma abordagem verdadeiramente multidisciplinar. Ao integrar áreas como a ecologia, a arquitetura e a economia, procuramos conceber sistemas holísticos que dialoguem com a natureza e respeitem os seus equilíbrios.

A abordagem inclusiva que praticamos tem promovido a colaboração entre diferentes disciplinas e contextos culturais, funcionando como catalisador de transformações profundas. A DaST evoluiu, assim, para uma comunidade de especialistas diversos que partilham uma visão comum de desenvolvimento sustentável.

Entendemos a sustentabilidade não como um conceito novo, mas como um regresso à sabedoria inerente da natureza. Ao respeitar os seus princípios, procuramos orientar processos e sistemas de volta ao seu estado natural, promovendo equilíbrio e resiliência.

DaST questiona o modelo dominante de crescimento económico, defendendo uma mudança de paradigma em direção a uma prosperidade holística. Valorizamos indicadores de bem-estar e sustentabilidade em detrimento de métricas económicas tradicionais, como o Produto Interno Bruto.

Defendemos igualmente uma maior participação cívica e responsabilidade na governação como resposta aos desafios sociais e ambientais contemporâneos. A Fundação procura capacitar indivíduos e comunidades para promoverem a mudança, contribuindo para um futuro mais justo, resiliente e sustentável.

No nosso compromisso com a sustentabilidade, reconhecemos as limitações dos atuais sistemas de contabilização na valorização do capital cultural e natural. A DaST defende uma mudança profunda em direção à integração total e à reavaliação destes ativos, reforçando a sua importância para as gerações futuras.

Ao abraçar o conceito de uma economia pós-crescimento, rejeitamos a ideia de que o crescimento económico contínuo seja sinónimo de progresso. Em alternativa, promovemos formas de vida sustentáveis que respeitam a diversidade biológica e cultural.

A ação coletiva e a transformação sistémica são essenciais no caminho para a sustentabilidade. DaST assume o compromisso de catalisar essa mudança, promovendo contextos onde o capital cultural e natural seja protegido, valorizado e plenamente integrado na sociedade.