Terrtório, Cultura e Ambiente de Lisboa

Workshop em Lisboa, no Palácio Belmonte

Bairro de Alfama
Lisboa, 14 de maio de 2012

As memórias que guardamos das paisagens da nossa infância, das paisagens naturais, das ruas da cidade, dos cheiros, das cores, das formas e dos sons, nunca são apenas individuais. Pertencem a uma experiência coletiva, partilhada entre gerações e silenciosamente inscrita na nossa memória cultural.

Existe uma relação profunda entre linhas e formas, cores e sons, e a psique humana. Aquilo que vemos, habitamos e atravessamos todos os dias influencia a forma como sentimos, como pensamos e como compreendemos o mundo que nos rodeia. Cada forma que encontramos é o resultado de forças opostas trazidas a um ponto de equilíbrio, e cada estrutura visível transporta o traço das energias que a moldaram. Neste sentido, os ambientes construídos e naturais não são neutros, participam ativamente na formação da nossa vida interior.

A história reconhece há muito esta ligação entre a imagem e a perceção humana. No século IX, após a longa disputa teológica com os iconoclastas da Igreja Ortodoxa Oriental, a Igreja de Roma reconheceu finalmente, no ano de 843, que as imagens contêm em si um fragmento de energia viva. Esta ideia sugere que formas, cores e composições não são meramente decorativas, carregam significado e influenciam a forma como percebemos a realidade.

Quando as paisagens, sejam naturais ou urbanas, são preservadas e compreendidas como obras-primas de criação coletiva, convidam-nos a olhar o mundo com uma atenção renovada. Despertam uma forma diferente de ver, uma que reconhece o diálogo profundo entre o lugar e o espírito humano.

Alfama incorpora esta relação de forma notável. As suas ruas estreitas, a história estratificada e a vida quotidiana vibrante criam uma paisagem autêntica, única e cheia de alegria. É um lugar moldado por séculos de presença humana, onde memória, arquitetura e comunidade continuam a coexistir.

Por esta razão, Alfama deve ser preservada, tal como tantas gerações antes de nós a protegeram com cuidado. Salvaguardar lugares como este não é apenas um ato de conservação do património, é uma responsabilidade coletiva perante as paisagens culturais e emocionais que moldam quem somos.

programa

11 de junho

09:30 – 10:00
Boas-vindas aos participantes. Apresentação do programa pelo Dr. António Ioris e pelo Dr. Rowan Ellis, com a participação do Dr. Frédéric Coustols e da Dra. Cátia Miriam Costa.

10:15 – 11:30
“Viajar em Lisboa ao longo do século XVI, a cidade, o porto e as pessoas”, pela Dra. Ana Cristina Roque e pela Dra. Maria Manuel Torrão (Centro de História, Instituto de Investigação Científica Tropical).

“Lisboa, os Jesuítas e a difusão do conhecimento científico”, pelo Comandante António Canas (Museu de Marinha) e pela Dra. Ana Cristina Leite, Coordenadora dos Museus Municipais (Museu da Cidade).

Debate seguido de pausa para café.

11:45 – 13:00
“Uma metodologia de conservação urbana para a encosta sul da Colina do Castelo”, pelo Dr. António Ricardo da Costa e pelo Dr. Jorge Gonçalves (Instituto Superior Técnico).

“Antigos pobres e novos ricos, visões para uma melhor coesão social e urbana. O caso das freguesias da Sé e do Castelo”, pelo Dr. Jorge Gonçalves e pelo Dr. António Ricardo da Costa (Instituto Superior Técnico).

Debate seguido de almoço.

14:30 – 16:00
Debate geral entre todos os participantes e apresentação de algumas conclusões.

16:00 – 17:00
Workshop com todos os participantes.

ficha técnica

DaST – Design a Sustainable Tomorrow
Cátia Miriam Costa
Frédéric Coustols

Instituto de Investigação Científica Tropical
Ana Cristina Roque
Maria Manuel Torrão
Vítor Luís Gaspar Rodrigues

Instituto Superior Técnico
António Ricardo da Costa
Jorge Gonçalves

Museu da Cidade
Ana Cristina Leite

Museu de Marinha
António Canas

University of Aberdeen
António Ioris
Rowan Ellis
Allana Henderson
Anne Kathleen Brady
Ben Alexander Yexley
Emily Lynn Richards
Rachel Clarke
Sara Claire Cockburn

Organização
DaST – Design a Sustainable Tomorrow

Local de Acolhimento
Palácio Belmonte

Parceiros
DaST – Design a Sustainable Tomorrow
Instituto de Investigação Científica Tropical
University of Aberdeen