Entre território e criação: um trimestre de regeneração em movimento
Regenerar territórios começa por regenerar relações, entre pessoas, lugar e propósito, construindo um amanhã sustentável na convergência entre cultura, ecologia e comunidade.
No segundo trimestre de 2026, o Convento da Terra, através da Fundação DaST, continua a afirmar o Torrão como um território vivo de encontro, onde prática artística, investigação e envolvimento comunitário se entrelaçam de forma orgânica, consistente e profundamente enraizada no lugar. Mais do que um ponto geográfico, o Torrão assume-se como um espaço de relação, onde o tempo, a memória e a ação contemporânea se cruzam para dar forma a novas possibilidades de existência coletiva.
Partindo da convicção de que regenerar territórios começa por regenerar relações, entre pessoas, lugar e propósito, o programa que se desenvolve ao longo destes meses propõe uma abordagem que ultrapassa a lógica de eventos isolados. Residências artísticas, processos de cocriação, oficinas, instalações e performances, espetáculos de teatro, caminhadas e momentos de reflexão colectiva surgem como dispositivos de escuta, partilha e construção conjunta, onde o conhecimento não é apenas transmitido, mas vivido, experienciado e transformado em prática.
Cada iniciativa torna-se, assim, um ponto de ligação, um gesto que reaproxima comunidade e território, que resgata histórias e saberes, e que ativa novas formas de pertença. Ao envolver diferentes gerações, disciplinas e perspetivas, este percurso reforça a ideia de que um amanhã sustentável se constrói na convergência entre cultura, ecologia e comunidade, numa relação contínua de cuidado, responsabilidade e imaginação.
Entre o rio Xarrama e o espaço do Convento da Terra – AQUI, entre a paisagem natural e o espaço de encontro, entre a participação ativa da comunidade e o gesto artístico, desenha-se um caminho que não se limita ao presente. Um caminho que se constrói a partir do território, mas que dialoga com desafios globais, afirmando o Torrão como um laboratório vivo de regeneração, onde se experimentam, em escala real, formas mais conscientes, justas e sustentáveis de habitar o mundo.
Residência Artística
"Laboratório dos Sedimentos"
14 a 19 de Abril 2026
Entre os dias 14 a 19 de abril, o Convento da Terra acolhe a 3ª residência artística “Laboratório dos Sedimentos”, integrada no ciclo de residências promovido pelo Coletivo Guarda-Rios em torno do rio Xarrama e do território do Torrão.
Desenvolvida por António Júlio Duarte e Mingyu Wu, esta residência dá continuidade a um processo de criação, experimentação e mapeamento que tem vindo a explorar as relações entre os sistemas naturais e as atividades humanas, numa lógica circular da água – onde os rios são simultaneamente origem de matéria e destino dos resíduos produzidos.
Partindo da observação do Aproveitamento Hidroagrícola do Vale do Gaio e do levantamento de barros e argilas do Xarrama, os artistas propõem um trabalho que cruza fotografia e escultura/cerâmica, investigando os sedimentos enquanto matéria física e enquanto arquivo sensível do território.
Entre prática artística e reflexão ecológica, “Laboratório dos Sedimentos” convida à leitura da paisagem como um sistema vivo, onde o solo atua como filtro, memória e testemunho das transformações ambientais e humanas.
Esta residência insere-se num conjunto de três momentos distintos que, ao longo de março e abril, têm vindo a abordar o rio através do som, do desenho, da instalação e da imagem, contribuindo para uma compreensão mais profunda dos impactos e interdependências que moldam este ecossistema.
O Coletivo Guarda Rios é uma estrutura financiada pela DGArtes/ Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.
Instalação | Performance + Apresentação Pública
Oficina de Teatro & Cocriação Comunitária "História de um Rio"
18 de Abril 2026 / 15:30
Espaço Convento da Terra - AQUI
No dia 18 de abril, a Oficina de Teatro do TNDM II no Torrão, apresenta no espaço do Convento da Terra – AQUI a instalação/performance “Histórias de um Rio” criada pelos jovens participantes da Oficina.
Este momento assinala a primeira apresentação pública do grupo e resulta de um processo coletivo que cruza criação artística, identidade local e memória partilhada. A partir de histórias imaginadas sobre o futuro do rio Xarrama, os jovens constroem uma reflexão sensível sobre o território, dando voz a preocupações, desejos e possibilidades, reais e surreais, para um Xarrama Vivo.
Mais do que uma apresentação, este encontro transforma o espaço num lugar de diálogo entre gerações, narrativas e experiências.
Após a performance, haverá um momento de conversa aberta ao público, com a participação especial da Universidade Sénior do Torrão.
Contamos com a presença de todos.
Intervenção em espaço público + Apresentação pública
OFICINA DE TEATRO & COCRIAÇÃO COMUNITÁRIA "Eu Também Sou Um Rio"
9 de Maio 2026 / 15:30
Praça Bernardim Ribeiro
No dia 9 de maio e, no seguimento de “Histórias de um Rio” apresentado em abril, o grupo de jovens da Oficina de Teatro dá continuidade ao seu processo criativo com “Eu Também Sou Um Rio”, uma intervenção artística em espaço público.
Esta ação coletiva convida a comunidade a participar ativamente, contribuindo com pedaços de tecido azul onde poderão inscrever mensagens, desenhos ou símbolos relacionados com o rio Xarrama.
Os fragmentos reunidos irão compor um “rio” artístico, instalado na praça durante uma semana, um gesto visual e simbólico que prolonga o trabalho desenvolvido, reforçando a ligação entre criação, território e expressão comunitária.
Em diálogo com o movimento “Por um Xarrama Vivo”, esta intervenção afirma o rio como espaço de memória, cuidado e futuro comum.
Integrada na caminhada internacional WalkingRivers, a ação inscreve o Xarrama num contexto mais amplo de reflexão sobre rios, ecologias e pertencimento, culminando no dia 16 de maio.
Mais do que uma apresentação, este é um convite à participação e ao envolvimento ativo da comunidade na construção de um território vivo e partilhado.
CAMINHADA COMUNITÁRIA + Picnic
WALKING RIVERS 2026 | "POR UM XARRAMA VIVO"
16 DE MAIO 2026 / PONTO DE ENCONTRO ESPAÇO AQUI / 09:30
O Torrão integra, uma vez mais, a iniciativa global WalkingRivers 2026, através de uma caminhada comunitária ao longo do Rio Xarrama, acompanhada por um momento de convívio e partilha. Mais do que um percurso físico, esta caminhada propõe-se como um gesto colectivo de escuta, presença e reconexão com o território.
Inserida num movimento internacional que atravessa diferentes geografias e culturas, a iniciativa WalkingRivers convida comunidades de todo o mundo a caminhar ao longo dos seus rios, reconhecendo-os como sistemas vivos que sustentam a biodiversidade, a memória e a identidade dos territórios. Trata-se de um apelo à reaproximação entre pessoas e ecossistemas fluviais, promovendo uma consciência mais profunda sobre a interdependência entre natureza e sociedade.
No contexto do Torrão, o Rio Xarrama assume-se como um elemento central da paisagem e da história local, um espaço onde se cruzam vivências, saberes e narrativas intergeracionais. Ao longo do percurso, serão partilhadas histórias e memórias da comunidade, reforçando a dimensão cultural do rio e a sua importância enquanto património comum.
A iniciativa integra-se numa rede global de ações que procuram sensibilizar para a urgência da preservação dos recursos hídricos, incentivando práticas de cuidado, monitorização e envolvimento cívico. Ao caminhar em conjunto, os participantes tornam-se parte de um movimento mais amplo que afirma o papel essencial dos rios não apenas nas aldeias e vilas, mas no equilíbrio ambiental e na sustentabilidade do planeta.
Mais do que uma caminhada, o WalkingRivers é um convite a desacelerar, observar e reconhecer o valor profundo dos rios nas nossas vidas, reforçando a responsabilidade colectiva de os proteger e regenerar para as gerações futuras.
Conversa Comunitária
"Conversas Que Germinam"
Água e Território: o Futuro do Xarrama
16 de maio de 2026 / 16:00
Espaço Convento da Terra - AQUI
Após o impacto da primeira edição, dedicada à agricultura regenerativa, o ciclo “Conversas que Germinam” regressa com uma nova sessão centrada na relação entre a água e o território.
Sob o tema Água e Território: o Futuro do Xarrama, propõe-se uma reflexão coletiva sobre os desafios atuais ligados à gestão da água, aos usos do rio e às transformações ambientais que atravessam o território.
Este espaço de diálogo aberto reúne comunidade, especialistas e participantes diversos, promovendo a escuta ativa e a construção partilhada de pensamento em torno de questões fundamentais para a regeneração, a sustentabilidade e o futuro comum.
Mais do que uma conversa, este é um convite à participação e ao envolvimento ativo na construção de um território mais consciente e resiliente.
Residência Artística
"Arid Skin" de Lin Zhu
2 a 14 de Junho 2026
Espaço Convento da Terra - AQUI
Entre os dias 2 a 14 de junho, o espaço AQUI acolhe a residência artística “Arid Skin”, de Lin Zhu, uma investigação que cruza corpo, paisagem e condição ambiental através de uma abordagem interdisciplinar entre dança, vídeo e prática performativa.
Partindo de uma perspetiva em primeira pessoa, o projeto explora a relação sensorial entre o corpo e o território, onde movimento e perceção se fundem. Nos campos expostos ao sol e na paisagem árida do Torrão, o corpo torna-se superfície de contacto com o ambiente, atravessando poeira, vento e luz, e deixando que o próprio território influencie e molde a coreografia.
“Arid Skin” propõe a paisagem como uma pele sensível: um espaço que se toca, se percorre e se experiencia através do movimento. Neste encontro entre corpo e ambiente, o trabalho reflete sobre formas de adaptação, resistência e transformação, convocando uma leitura íntima e ecológica de um território marcado pela fragilidade e pela escassez.
ESPETÁCULO + APRESENTAÇÃO PÚBLICA
OFICINA DE TEATRO: ESPÉCTACULO FINAL
11 de junho de 2026 / horário a definir
Teatro Vicente Rodrigues
No âmbito do projeto da Oficina de Teatro, terá lugar a apresentação final do trabalho desenvolvido pelo grupo de jovens atores ao longo do ano letivo.
Este espetáculo assinala o culminar de um processo contínuo de criação, aprendizagem e experimentação, iniciado em setembro de 2025, que envolveu alunos do 2.º e 3.º ciclos da Escola EB 2/3 Bernardim Ribeiro na construção de um grupo de teatro escolar ligado ao quotidiano e ao património local.
Dinamizada por Miguel Magalhães, em parceria com o Teatro Nacional D. Maria II, o Plano Nacional das Artes, o Convento da Terra e o Município de Alcácer do Sal, a oficina afirmou-se como um espaço de descoberta, expressão e pertença, onde o teatro se torna ferramenta de escuta e transformação.
Mais do que um resultado final, este momento reflete um percurso coletivo que valoriza o processo enquanto espaço de confiança, desenvolvimento pessoal e construção de relações entre participantes, artistas e território.
Integrado num projeto que decorre entre o Torrão e Arraiolos, este trabalho inscreve-se numa prática contínua de mediação cultural, promovendo encontros, partilhas e experiências que ampliam o papel da arte na educação.
Este espetáculo é, assim, não apenas uma apresentação, mas a celebração de um percurso vivido em conjunto.
Residência Artística
"Memórias do Arroz do Sado" de Diogo Bento
17 a 21 de Junho 2026 / Open Studio
20 de Junho 2026 / 15:30 / Lançamento do 2º volume do Caderno de Pesquisa
Espaço Convento da Terra - AQUI
No âmbito da residência artística “Memórias do Arroz do Sado”, Diogo Bento abre ao público o processo de investigação em curso, convidando a comunidade a acompanhar de perto o desenvolvimento do projeto.
Enraizado na paisagem e nas práticas agrícolas do Vale do Sado, este trabalho cruza criação artística contemporânea, arquivo e memória coletiva, articulando fotografia, escuta e experimentação visual como formas de pensar o território.
Partindo também do debate internacional conhecido como Arroz Negro, que evidencia o papel das populações africanas na história do cultivo do arroz, o projeto propõe revisitar narrativas locais e questionar o que permanece, e o que foi esquecido, na memória do Sado.
Mais do que uma apresentação, o Open Studio configura-se como um espaço de encontro e partilha, um convite à comunidade para contribuir com memórias, relatos e referências, ativando um processo coletivo de reflexão sobre o território.
Integrado no Open Studio, terá lugar o lançamento do Caderno de Pesquisa Vol. 2, publicação que reúne materiais, processos e desdobramentos da investigação.
Projeto de Investigação de Doutoramento financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia